• Filipe Barboza

Nicola, do blog WomenWhoCycle: 'Pedalar me deu mais confiança na vida'


Nicola Rutzou começou sua relação com a bicicleta em 2008, quando aceitou o convite de um amigo para um pedal beneficente. De lá para cá o amor pelo ciclismo só fez crescer em alguém que se diz inábil para as práticas esportivas e sem qualquer vocação para atividades físicas.

A blogueira australiana, autora do excelente WomenWhoCycle, voltado, como sugere o nome, para mulheres que pedalam, costuma se apresentar dizendo que a bicicleta transformou sua vida. O Planeta da Bike bateu um papo com ela por watsapp. Na conversa, prazeres e temores de ser ciclista numa metrópole como Sydney, na Austrália, onde ela vive, e também o espaço que as mulheres ciclistas etão ocupando.

Fizemos cinco perguntas à Nicole. Confira aí:

Você diz que a bicicleta mudou sua vida e sua atitude. Como?

Foi em muitos níveis em mim. Em primeiro lugar, me dá o sentimento de pertencer a uma comunidade (de ciclistas). Antes de eu encontrar o ciclismo eu não conhecia muitas pessoas na minhão região, apesar de viver lá por muitos anos. Agora conheço dúzias de moradores e sou parte da tribo local do ciclismo. A bicicleta também me deu mais confiança em todos os aspectos da minha vida. Aprender a dominar uma disciplina física me fez perceber o que eu posso conseguir.

Você já escreveu sobre o ciclismo como ferramenta para a liberação feminina no Século XIX (num artigo sobre o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março). Isso ainda acontece?

Felizmente na Austrália a liberação feminina não é uma questão importante. Somos livres para andar de bicicleta e participar plenamente da sociedade. Tenho, no entanto, conhecimento de histórias em áreas como o Oriente Médio, onde as mulheres andam de bicicleta mesmo onde é proibido. Para elas, (a luta por seus direitos) não é diferente das sufragistas na Era Vitoriana (mulheres que se rebelaram pelo direito de votar, para saber mais clique aqui). As bicicletas deveriam estar disponíveis para todas as pessoas, já que traz benefícios para os indivíduos e para a sociedade como um todo.

Por que há menos mulheres do que homens pedalando nas ruas?

Na Austrália, há várias razões. O maior problema é a segurança. Muitas mulheres em Sydney não se sentem confiantes para pedalar nas estradas. Nós também temos leis de capacete obrigatório no país, e acredito que isso seja obstáculo para mulheres elegantes que querem evitar desarrumar o cabelo no caminho para o trabalho ou qualquer outro destino em que precise do melhor de sua aparência. As mulheres também são as principais cuidadoras de crianças e idosos na família e elas simplesmente não têm tempo para se dedicar ao ciclismo. Também é impraticável para muitas delas usar a bicicleta como transporte porque precisam levar os filhos para a escola e outras atividades.

Numa escala de 0 a 10, como você avaliaria a segurança para pedalar no trânsito de Sydney? É uma cidade amigável às bicicletas?

Infelizmente, Sydney não é uma cidade muito amigável para bicicleta. A infraestrutura ciclística é pequena, com poucas ciclovias e ciclofaixas, e os ciclistas são obrigados a compartilhar as ruas e estradas com os motoristas. A maioria dos motoristas é atenciosa, mas há uma pequena minoria que acredita que o asfalto não é lugar para bicicleta. Não é incomum um ciclista urbano ser vítima de abuso por parte de motoristas impacientes que sentem que têm mais direito sobre as ruas. Eu daria a Sydney nota 3, numa escala de 0 a 10.

Quais são as lições mais importantes que você aprendeu pedalando no dia-a-dia de uma cidade grande como Sydney?

Não uso minha bicicleta muito como meio de transporte, ela é mais para exercício e lazer. Sydney é uma cidade muito grande, com longas distâncias, então acho mais conveniente usar meu carro ou o transporte público. Embora considere importante incentivar outras pessoas a ver as bicicletas como opção viável de transporte.

#CiclismoFeminino

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