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10 anos sem Cláudio Clarindo: o brasileiro que cruzou a América 5x de costa a costa sobre duas rodas e virou símbolo de resistência

  • Foto do escritor: Márcio de Miranda
    Márcio de Miranda
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura


Clarindo após finalizar a sua quinta RAAM / Divulgação
Clarindo após finalizar a sua quinta RAAM / Divulgação

No dia 25 de janeiro, data que se tornaria um marco doloroso para o esporte brasileiro, o Brasil perdeu um de seus maiores nomes do ultraciclismo. Foi nesse dia, em 2016, que Cláudio Clarindo teve sua trajetória interrompida de forma trágica. Aos 38 anos, ele deixava para trás uma história de superação que havia atravessado continentes e inspirado gerações. Cláudio Clarindo nasceu em Santos, no litoral paulista, em 7 de maio de 1977, e desde cedo demonstrou vocação para os esportes de resistência. Iniciou a trajetória como nadador e, ainda na adolescência, migrou para o triatlo, modalidade na qual competiu por mais de uma década e participou de mais de duzentas provas. A base construída nas piscinas e nas corridas de longa distância foi determinante para que, anos depois, ele se tornasse um dos maiores nomes do ultraciclismo da América Latina.

A mudança definitiva para o ciclismo de longa distância ocorreu no início dos anos 2000, quando Clarindo passou a se dedicar a desafios extremos, em provas que exigem não apenas preparo físico, mas também resistência mental e a capacidade de suportar dor, privação de sono e variações climáticas severas. Em 2002, entrou para a história ao estabelecer o recorde brasileiro de longa distância, após percorrer 420 quilômetros em uma única prova. A partir dali, seu nome passou a circular entre os principais atletas do cenário internacional da modalidade.

O ápice da carreira veio com a Race Across America, considerada a prova de ciclismo mais difícil do mundo. A competição atravessa os Estados Unidos de costa a costa, em um percurso superior a 4.800 quilômetros, sem paradas obrigatórias, enfrentando desertos, montanhas, frio, calor extremo e noites sem dormir. Entre 2007 e 2015, Clarindo completou a prova cinco vezes, tornando-se o primeiro latino-americano a alcançar esse feito. Em 2011, estabeleceu o recorde sul-americano da RAAM ao concluir o trajeto em pouco mais de dez dias, consolidando seu nome entre os grandes ultraciclistas do planeta. Curta feito pelo Planeta da Bike em 2019

Durante suas participações, chegou a pedalar mais de 400 quilômetros por dia, enfrentando temperaturas próximas a 50 graus no deserto e frio intenso em regiões montanhosas. Mais do que números, suas conquistas representavam a prova de que o Brasil podia competir em igualdade com as principais potências do ultraciclo mundial. Clarindo transformou sua história em inspiração para atletas, levando o nome do país a um cenário até então pouco explorado.

Fora das competições, também atuou como servidor público, exercendo a função de coordenador de esportes de praia na cidade de Santos, além de participar de projetos sociais e de incentivo ao esporte. Em reconhecimento à sua trajetória, foi escolhido para conduzir a Tocha Olímpica nos preparativos para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

No dia 25 de janeiro daquele ano, enquanto treinava na Rodovia Rio–Santos, na altura do quilômetro 244, Cláudio Clarindo foi atingido por um veículo que invadiu a pista. O impacto foi fatal. O ultraciclista, então com 38 anos, não resistiu aos ferimentos, em um acidente que chocou o esporte brasileiro e reacendeu o debate sobre a segurança de ciclistas nas estradas.

A morte interrompeu uma carreira que ainda tinha muito a oferecer, mas não apagou o legado deixado por um atleta que transformou limites em ponto de partida. Clarindo permanece como símbolo de coragem, disciplina e superação, inspiração para todos que acreditam que grandes distâncias podem ser vencidas com determinação, propósito e paixão. Seu nome segue vivo entre aqueles que veem no esporte não apenas uma competição, mas uma forma de atravessar o mundo — e a si mesmo.

 
 
 

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