Autopropelidos nas ruas: usuários vão às ruas no Rio para exigir direito de circular
há 17 horas
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Manifestação nesta quarta-feira, em Copacabana, questiona regras que, segundo os organizadores, deixam milhares de usuários sem alternativas para se deslocar em vias sem infraestrutura cicloviária.
Bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos conquistaram espaço definitivo na mobilidade urbana brasileira. Para milhares de pessoas, eles já não representam apenas lazer ou diversão, mas uma alternativa real para ir ao trabalho, estudar e realizar os deslocamentos do dia a dia.
Mas uma pergunta vem ganhando força entre os usuários: por onde circular quando a legislação restringe determinadas vias e não existe ciclovia ou ciclofaixa disponível?
É justamente para chamar atenção para esse debate que usuários de bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos realizam, nesta quarta-feira, 2 de setembro, uma manifestação na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O encontro está marcado para as 17h.
A mobilização questiona as atuais regras para circulação desses equipamentos e pede uma solução que permita a utilização segura e responsável dos novos meios de transporte que já fazem parte da realidade das grandes cidades brasileiras.
Quando a cidade não oferece caminho
O ponto central da manifestação é um problema que, segundo os organizadores, vai muito além do recente Decreto Municipal nº 58.537/2026.
A discussão envolve diretamente a Resolução nº 996/2023 do CONTRAN, que estabeleceu regras nacionais para bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos e outros veículos de mobilidade individual.
Para os manifestantes, a aplicação das regras cria um impasse em cidades onde grande parte das vias possui limites de velocidade superiores a 40 km/h e, ao mesmo tempo, não conta com infraestrutura cicloviária.
A situação levanta uma questão simples, mas de difícil resposta:
Se o equipamento não pode circular em determinada via e não existe ciclovia, ciclofaixa ou outra infraestrutura disponível, por onde o usuário deve passar?
Entre a regra e a realidade
A distância entre a regulamentação e a realidade das cidades é um dos principais pontos levantados pelo movimento.
No Rio de Janeiro, assim como em outras grandes cidades brasileiras, inúmeras avenidas e ruas possuem limites de velocidade de 50 km/h, 60 km/h ou mais.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura cicloviária não cobre todos os trajetos necessários para quem depende de bicicletas elétricas e outros equipamentos de mobilidade individual.
Para os organizadores, isso pode transformar um meio de transporte acessível e sustentável em um problema diário para o cidadão.
Segundo o movimento, o problema não está restrito ao Rio de Janeiro.
As cidades brasileiras vivem uma transformação acelerada na mobilidade urbana. Bicicletas elétricas, patinetes e diferentes equipamentos autopropelidos passaram a ocupar as ruas, muitas vezes antes mesmo de existir uma infraestrutura adequada para recebê-los.
As prefeituras precisam regulamentar essa nova realidade, mas os organizadores da manifestação afirmam que a legislação nacional limita as alternativas disponíveis.
Na visão do grupo, restringir a circulação em vias sem oferecer rotas alternativas pode significar impedir, na prática, o uso desses equipamentos em grandes áreas urbanas.
Por outro lado, permitir a circulação em determinadas condições também pode gerar questionamentos sobre o cumprimento da regulamentação nacional.
O resultado, segundo os manifestantes, é um cenário de insegurança jurídica e incerteza para os usuários.
Copacabana representa um problema que se repete pela cidade
Os organizadores citam a Avenida Nossa Senhora de Copacabana como um dos exemplos da dificuldade enfrentada pelos usuários.
Em trechos onde não há infraestrutura cicloviária disponível durante todo o percurso, surge a dúvida sobre qual deve ser o caminho adotado por quem utiliza um equipamento autopropelido.
O problema não é exclusivo de Copacabana.
Ele se repete em diferentes bairros e cidades brasileiras.
Para os usuários, não basta criar regras de circulação sem que exista uma alternativa segura e viável para chegar ao destino.
A preocupação é que o cidadão fique diante de uma escolha impossível: mudar completamente sua rota, correr o risco de ser autuado ou circular em condições que possam representar riscos à sua segurança.
Mobilidade não pode parar na falta de infraestrutura
A manifestação também coloca em discussão um dos maiores desafios da mobilidade urbana brasileira: o crescimento dos novos meios de transporte em uma cidade que ainda não possui infraestrutura suficiente para todos.
A expansão das ciclovias é fundamental, mas ainda está longe de atender completamente às necessidades de deslocamento da população.
Enquanto isso, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos continuam crescendo como alternativa de transporte.
Para o movimento, a regulamentação precisa acompanhar essa transformação.
A defesa não é por uma circulação sem regras.
A reivindicação é por normas claras, segurança e soluções que considerem a realidade das ruas brasileiras.
O debate precisa chegar a Brasília
Os organizadores defendem que a solução não depende exclusivamente de decretos municipais.
Para o grupo, é necessário abrir imediatamente uma discussão sobre a Resolução nº 996/2023 do CONTRAN e buscar alternativas que permitam compatibilizar segurança no trânsito, infraestrutura urbana e o direito à mobilidade.
A manifestação também pretende pedir o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro para que a discussão seja levada aos órgãos federais responsáveis pela regulamentação.
A mensagem é clara:
uma cidade não pode incentivar novos meios de transporte e, ao mesmo tempo, deixar seus usuários sem caminhos seguros e legalmente definidos para circular.
“Autopropelidos também precisam ter direito de circular”
Com esse lema, os usuários esperam reunir pessoas interessadas em discutir o futuro da mobilidade urbana.
O movimento defende que bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos já são parte da realidade das cidades e precisam ser considerados nas políticas públicas de mobilidade.
A reivindicação é por segurança, responsabilidade e, principalmente, por uma solução prática.
Porque, para quem utiliza esses equipamentos todos os dias, a pergunta continua sendo a mesma:
Se não há ciclovia e a via possui restrições, por onde devemos circular?
SERVIÇO
MANIFESTAÇÃO – AUTOPROPELIDOS TAMBÉM PRECISAM TER DIREITO DE CIRCULAR
Praça Cardeal Arcoverde – Copacabana, Rio de JaneiroQuarta-feira, 2 de setembro de 2026 - 17h
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