Café e ciclismo: como a cafeína pode melhorar o desempenho dos ciclistas
Márcio de Miranda
24 de jan.
2 min de leitura
O café faz parte da rotina de milhões de brasileiros e também é presença constante entre ciclistas amadores e profissionais. Rico em cafeína, o café é uma das substâncias naturais mais estudadas no esporte por sua relação direta com o desempenho físico. No ciclismo, modalidade marcada por longas horas de esforço, a cafeína é reconhecida por sua ação ergogênica, ajudando atletas a suportar melhor a fadiga e manter a intensidade ao longo das provas.
A cafeína atua no sistema nervoso central, reduzindo a sensação de cansaço e aumentando o estado de alerta. Esse efeito é especialmente relevante em provas de resistência, como ciclismo de estrada, mountain bike e granfondos. Estudos mostram que a substância pode contribuir para a melhora do tempo até a exaustão e para o desempenho em esforços de alta intensidade, como ataques, subidas e sprints finais.
Outro benefício associado à cafeína é a maior disponibilidade de gordura como fonte de energia, o que ajuda a preservar o glicogênio muscular, reserva fundamental durante atividades prolongadas. Embora esse mecanismo ainda seja tema de debate na ciência, ele ajuda a explicar por que muitos atletas relatam melhor rendimento após o consumo moderado de café antes dos treinos ou competições.
Por ser uma fonte natural de cafeína, o café é uma opção prática, acessível e culturalmente aceita. No entanto, os efeitos variam de pessoa para pessoa. A tolerância, o peso corporal, a sensibilidade individual e o momento do consumo influenciam diretamente a resposta do organismo. Em excesso, a cafeína pode causar palpitações, ansiedade, tremores, insônia e desconforto gastrointestinal.
No esporte de alto rendimento, a cafeína é permitida pela Agência Mundial Antidopagem (WADA) e não possui limite máximo estabelecido no sangue ou na urina. A substância foi retirada da lista de proibidas em 2004 e, desde então, faz parte apenas do Programa de Monitoramento da entidade, que observa padrões de consumo, mas não aplica sanções por níveis detectados.
No ciclismo, o café vai além do hábito social: tornou-se uma estratégia nutricional que, quando bem dosada, pode contribuir para a performance. Ainda assim, não substitui uma alimentação equilibrada, hidratação adequada e um programa de treinamento consistente, pilares essenciais para quem busca evolução sobre a bicicleta.Além da quantidade, a qualidade do café também influencia a experiência do ciclista. Um bom café começa pela origem identificada no rótulo, com informações sobre região, variedade e data de torra. Cafés de qualidade são, em sua maioria, 100% arábica, com aroma mais equilibrado e sabor menos amargo.
A torra fresca e uniforme preserva os compostos naturais da bebida, garantindo melhor aroma e paladar. Ao preparar, o café deve apresentar cheiro limpo e agradável, sem notas queimadas ou de mofo. No sabor, o ideal é que haja equilíbrio entre doçura, acidez e corpo.
Para o ciclista, escolher um café de boa procedência não é apenas uma questão de gosto, mas de eficiência: quanto mais puro e fresco o grão, menor a chance de desconfortos e maior a qualidade da cafeína ingerida antes dos treinos e provas.
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