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Ciclismo ganha força como solução imediata para crise energética na Europa, aponta novo manifesto da Federação Europeia de Ciclistas (ECF)

  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

Em meio à mais recente crise energética global e ao aumento dos preços dos combustíveis, uma coligação de defensores da mobilidade na Europa está apelando aos governos, em todos os níveis, para que promovam com urgência o ciclismo como uma solução rápida, acessível e energeticamente eficiente, capaz de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

O posicionamento ganha forma por meio do novo manifesto intitulado “Alcançar a independência energética e o transporte acessível para todos: 10 medidas para alavancar o ciclismo”, que apresenta ações concretas tanto a curto quanto a longo prazo para transformar a mobilidade cotidiana, afastando-a do uso predominante de automóveis e incentivando o transporte ativo. O documento complementa e amplia as medidas previstas na comunicação da Comissão Europeia sobre energia acessível, que já aponta o ciclismo e a mobilidade ativa como soluções imediatas e economicamente viáveis para reduzir a demanda energética no setor de transportes.

O contexto é marcado por tensões geopolíticas renovadas e por perturbações no fornecimento de energia, fatores que voltaram a expor a vulnerabilidade do sistema de transportes europeu, ainda fortemente dependente do petróleo importado. Embora iniciativas de curto prazo, como a redução de impostos sobre combustíveis, possam oferecer alívio temporário, elas não enfrentam as causas estruturais da crise.

Segundo Laurianne Krid, Diretora Executiva da Federação Europeia de Ciclistas, a Europa não pode recorrer a subsídios aos combustíveis fósseis como estratégia para sair da dependência energética. Para ela, é necessário adotar soluções que reduzam o uso desses combustíveis na origem, destacando a bicicleta como uma das ferramentas mais rápidas, acessíveis e eficazes disponíveis atualmente.

Na mesma linha, Paul Walsh, CEO da European Cycling Industries, afirma que, se a redução da dependência energética é levada a sério, é fundamental adotar uma abordagem sistêmica que priorize soluções capazes de diminuir efetivamente a demanda. Ele ressalta que o ciclismo, inserido em uma mudança modal sustentável, não deve ser visto como alternativa de nicho, mas como um ativo estratégico para a segurança energética, a competitividade e a resiliência da Europa.

Do ponto de vista energético, a bicicleta se destaca como o meio de transporte mais eficiente. Um quilômetro percorrido pedalando pode consumir até 27 vezes menos energia do que o mesmo trajeto realizado de carro. Considerando que cerca de 100 milhões de viagens curtas de automóvel são feitas diariamente na Europa — muitas com menos de 5 a 10 quilômetros —, o potencial de migração para modos ativos é significativo.

Mesmo mudanças modestas já demonstram impacto relevante. A substituição de apenas 10 quilômetros diários de deslocamentos de carro pode gerar uma economia anual de até 500 euros em custos de combustível e manutenção para as famílias.

O manifesto propõe cinco ações imediatas para acelerar essa transição: a reintrodução de ciclovias temporárias por meio da redistribuição do espaço viário; a redução dos limites de velocidade urbana para 30 km/h, com ganhos em segurança e consumo; a oferta de incentivos financeiros específicos para bicicletas, bicicletas elétricas e serviços de reparo; a organização de dias regulares sem carros em cidades e bairros; e a promoção do cicloturismo, aliada à melhoria do acesso das bicicletas ao transporte público.

Além disso, o documento apresenta cinco reformas estruturais consideradas essenciais para garantir resultados duradouros. Entre elas estão a expansão de programas de leasing de bicicletas com incentivos fiscais, a destinação de pelo menos 10% dos orçamentos de transporte para a mobilidade ativa, a construção de redes cicloviárias contínuas e de alta qualidade, o desenvolvimento de programas de incentivo ao uso da bicicleta no trajeto escolar e o fortalecimento da capacidade institucional para o planejamento da mobilidade ativa.

Os defensores do manifesto destacam que investir no ciclismo não apenas reduz o consumo de energia e as emissões, mas também fortalece a resiliência europeia, melhora a saúde pública e amplia o acesso à mobilidade. Na avaliação de Laurianne Krid, com vontade política adequada, milhões de viagens curtas de carro podem ser rapidamente substituídas, contribuindo diretamente para a redução da demanda por combustível e liberando energia para setores essenciais.

Nesse cenário, a Federação Europeia de Ciclistas avalia positivamente a inclusão de medidas de promoção do ciclismo no anexo da comunicação da Comissão Europeia sobre energia acessível, como o desenvolvimento de infraestrutura cicloviária, incentivos à compra de bicicletas, apoio à partilha de bicicletas e estímulos às entregas de última milha com bicicletas de carga. No entanto, a entidade aponta uma lacuna importante: assim como em proposta recente sobre veículos empresariais limpos, a comunicação não menciona o leasing de bicicletas corporativas nas recomendações fiscais para carros de empresa, ignorando um potencial significativo de economia de combustível por meio da mudança modal no deslocamento de trabalhadores.

Como exemplo, o documento cita o caso da Alemanha, onde o setor de leasing de bicicletas já conta com 2,2 milhões de unidades empresariais em circulação, impulsionado por incentivos fiscais específicos.

Os signatários do manifesto entre eles a Federação Europeia de Ciclistas, Indústrias Ciclísticas Europeias, Conselho Europeu de Segurança nos Transportes, Eurocities, Polis e Clean Cities afirmam estar prontos para colaborar com legisladores na implementação das medidas propostas, reforçando o papel do ciclismo como peça-chave na transição energética e na construção de sistemas de transporte mais sustentáveis.

 
 
 

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