Entrevista exclusiva com Renan do Couto, a voz do Ciclismo de Estrada da ESPN


O narrador ciclista / Acervo pessoal

Nos últimos anos, o ciclismo de estrada cresceu muito no Brasil, parte desta mudança se dá pela transmissão das principais provas do calendário da União Ciclística Internacional (UCI). Para falar um pouco sobre este momento, batemos um papo com Renan do Couto (27 anos), narrador dos canais ESPN e Fox Sports, que desde 2017 se tornou a voz do ciclismo de estrada nacional. Renan não é apenas narrador, ele também é ciclista nas horas vagas, pedalou os 160 km, do GFNY Brasil em Conservatória-RJ. Entre as modalidades que narra está o futebol, NBA, NFL, MLB, Tênis, automobilismo e ciclismo, claro.

Planeta da Bike - Renan você é um jovem narrador que vem se destacando ao longo dos anos, como é cobrir esportes tão diferentes como futebol, NBA, NFL, MLB, Tênis, automobilismo e ciclismo? Renan do Couto - Precisa virar a chavinha de uma coisa para outra, o Twitter me ajuda muito nisso, alguns sites que fico de olho pra acompanhar e ter noção do que está acontecendo e claro assistir aos programas de futebol que nós temos (canais ESPN e Fox Sports). Além de assistir ao noticiário dos esportes americanos, do ciclismo. Acompanhando aos poucos e ficando de olho. No sentido de entrar no ar, tem que trocar a chavinha porque são dinâmicas diferentes, uma prova de ciclismo é diferente de um jogo que tem ação acontecendo em mais momentos dentro do jogo, ou de uma prova de automobilismo, ou de um jogo de tênis. Então, virar a chavinha é se preparar, vale também para duração do evento, como horas de transmissão de tênis, ciclismo já tem que ir sabendo que é aquilo e vai curtir o que está acompanhando. Como gosto muito de esportes, pra mim acaba sendo fácil, passar de um para outro. Planeta da Bike - Sabemos da sua paixão pela bicicleta, como ela começou? Renan do Couto - Desde pequeno eu sempre andei de bicicleta, a brincadeira era jogar bola, andar de bicicleta era o que eu mais gostava. Apostava corrida de bicicleta no condomínio que eu morava aqui em São Paulo ou quando ia pra Minas de férias para casa dos meus avós.


Então, sempre gostei muito disso, não tinha o conhecimento na época do que era uma prova de ciclismo, do que era treinar ciclismo, competir no ciclismo. Não tinha transmissões, não tinha como acompanhar na época, nem internet quando era mais novo. Esse conhecimento fui ter depois, para treinar, para praticar o esporte como tenho praticado hoje. Foi até depois de começar nas transmissões na ESPN junto com Celso Anderson. A paixão vem desde pequeno, era uma coisa que sempre gostei de fazer. Planeta da Bike - Participar das principais transmissões de ciclismo do mundo, fez aumentar a sua paixão pelo esporte? Renan do Couto Com certeza fez, foi em um momento em que eu estava voltando a pedalar um pouco mais, participar das transmissões foi um estímulo a pedalar mais. Pedalar não deixa de ser uma forma a mais de aprender sobre o esporte e ajuda na transmissão. Então, o que você sente fazendo uma coisa, leva para outra, o esporte você leva pro trabalho e o trabalho você leva pro esporte. Claro que num nível diferente das transmissões que eu faço, mas ajuda a aprender, a ter noção da bicicleta de ciclismo, da parte técnica, da dificuldade de uma coisa, ou de outra. Quando vira trabalho não deixa de ser um estímulo a mais pra querer conhecer mais o esporte e de praticá-lo. Não fica aquela coisa, vou pedalar e tenho que trabalhar, isso vai me ajudar no trabalho também de alguma forma, fora o que ajuda na vida. Questão de saúde, atividade física, coisa diferente que você faz pra fugir da sua rotina normal, então com certeza uma coisa puxa a outra.

Renan durante treino / Acervo pessoal

Planeta da Bike - Como você combina a sua rotina de treinos com trabalho?


Renan do Couto Não tenho uma rotina fixa, porque a minha escala de trabalho muda muito. Tem épocas que trabalho mais à noite, outras pela manhã com as transmissões. Treino com um grupo de amigos, com algumas pessoas que andam há algum tempo que me ajudam, a gente se ajuda. Não tenho um compromisso fixo com alguém, uma equipe, isso não tenho. Posso treinar no meu ritmo, do jeito que conseguir adequar. Normalmente é aquela coisa de treinar cedo 5h, 6h da manhã até 8h, 9h. Agora tenho rolo, não me empolga tanto treinar nele, mas serve para aquele dia que você não consegue treinar fora, ou não consegue acordar cedo para sair com grupo, ou amanhece chovendo. Rolo é uma coisa que ajuda nesse sentido de complementar. Durante alguns momentos da pandemia fiquei treinando só no rolo, fica um treino mais específico. Conforme a rotina de um jeito ou de outro, vou encaixando os treinos. Planeta da Bike - No MTB temos o Avancini que é referencia mundial, o que falta para conseguirmos a mesma representatividade no Ciclismo de Estrada?


Renan do Couto Nesses anos que venho trabalhando com ciclismo, já deu para perceber que falta prova de base, falta mostrar que é legal, que existe o esporte. Não sou exemplo de nada, mas pensando no meu caso, era uma criança que gostava, não sabia como competir, meus pais não sabiam onde me levar, me colocar nisso. Falta ter eventos para mostrar para as pessoas o que é o ciclismo e apresentar para as crianças: “olha como é legal, você pode correr e se divertir”. A partir disto fazer provas pra base, você vai ver mais crianças chegando, participando e se desenvolver desde pequenos para chegar no nível profissional. A impressão que eu tenho é que as pessoas começam a praticar o ciclismo de estrada depois que estão mais velhas. Faltam provas de base até o nível profissional. Já no Mountain Bike tem mais provas por causa do formato e por acontecerem em fazendas. Falta prova para as pessoas competirem e dentro deles você vai achar talentos.

Pronto para narrar / Divulgação ESPN e Fox Sports

Planeta da Bike - Quais são as suas expectativas para o ciclismo brasileiro em Tóquio-20? Renan do CoutoA expectativa principal está no Henrique Avancini, vem de um ciclo bom. Os resultados não foram bons nas últimas rodadas de Copa do mundo, mas é um cara que nós já vimos do que é capaz, se chegar no pico da forma para os Jogos Olímpicos no meio do ano, acho que dá para esperar coisa boa do Avancini. Um cara que é muito bom, tem um nível muito alto e merece ter um bom resultado nos Jogos Olímpicos.


Planeta da Bike - Qual é o sonho do Renan como ciclista? Renan do Couto – Gostaria de pedalar em lugares legais, disputar provas, vou entrar em uma ou outra pra me divertir. Eu quero pedalar em lugares legais, passando a pandemia vou tentar fazer uma viagem para Europa e conhecer as montanhas que nós vemos no Giro de Itália, no Tour de France ou da Volta da Espanha, esse é o meu sonho, conhecer esses lugares. Ver de perto, ver em primeira pessoa é que nem falei antes, isso vai me dar mais conhecimento para fazer o meu trabalho. Porque você foi ao lugar, viu como é, viu a inclinação, então, eu curtiria isso. Como um fã do ciclismo, como ciclista de estar nestes lugares e também tentaria extrair coisas destas oportunidades pra ajudar no meu trabalho, para enriquecer as transmissões, levar mais conteúdo, mais conhecimento, experiência para quem está em casa assistindo. Neste momento, Renan está narrando a reta final do Giro de Itália, no canal ESPN 2 (572 – NET / 599 - SKY / 162 – Oi Tv / 572 - Vivo).

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