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MPCC aponta queda nos casos de doping em 2025, mas alerta para “zonas cinzentas”

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Ao final de 2025, o Movimento Por um Ciclismo Limpo (MPCC) constatou uma leve diminuição no número de casos de doping no ciclismo profissional. Essa avaliação mostra que o nosso esporte está longe de figurar entre as modalidades mais afetadas, mas deve permanecer particularmente vigilante. O ciclismo precisa tanto questionar o desenvolvimento significativo de determinadas práticas médicas conhecidas como “zonas cinzentas” entre a elite quanto combater o doping “tradicional”, especialmente no nível Continental.

Ao apresentar um panorama da luta contra o doping no mundo e na maioria dos esportes, o relatório Credibility Figures oferece um retrato em que o ciclismo aparece como um aluno exemplar, depois de ter sido considerado, por muitos anos, um elo frágil. Ao longo de 2025, foram registrados 20 casos de doping entre ciclistas profissionais. Esse número indica uma tendência de queda desde 2022, quando 29 casos foram tornados públicos.

No ano passado, o ciclismo foi apenas o décimo esporte mais citado em casos de doping e fraude esportiva, muito atrás do atletismo (163 casos), do levantamento de peso (63) e do tênis (46, incluindo 27 por fraude esportiva). O atletismo segue no topo dessa lista, apesar de destinar recursos significativos ao combate às irregularidades. A presença do MMA na quarta posição, como já mencionado em nossas publicações anteriores, também é um ponto a ser observado nos próximos anos. A cautela também é recomendada para o nosso esporte, já que, pela primeira vez em dois anos, um ciclista do World Tour foi suspenso. Esse atleta, que não é membro do nosso movimento e compete por uma equipe que também não está registrada no MPCC, foi flagrado por meio do passaporte biológico, um dos pilares da luta contra o doping.

Embora relativamente poucos ciclistas do World Tour tenham testado positivo nos últimos anos, isso não significa que a elite do nosso esporte esteja 100% limpa. O MPCC sempre buscou questionar a eficácia dos esforços antidoping, mesmo quando havia progresso. Nossa posição se fortalece ainda mais quando muitas equipes exploram as “zonas cinzentas” e ampliam a medicalização do esporte. Há cerca de uma década, o Tramadol, contra o qual lutamos, era considerado uma “zona cinzenta” por aliviar a dor dos ciclistas. Essa substância acabou sendo proibida, em benefício do nosso esporte e da saúde dos atletas.

Posteriormente, nosso movimento também se posicionou sobre o uso de determinadas substâncias no pelotão, como as cetonas, e foi bastante crítico em relação a certas práticas, incluindo o uso generalizado de analgésicos, que podem colocar em risco a saúde mental dos ciclistas. As ações do MPCC produziram resultados, com o Tramadol sendo incluído na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA) e a inalação repetida de monóxido de carbono sendo proibida há mais de um ano. A UCI proibiu essa prática pela primeira vez em fevereiro de 2025, antes de a WADA estender a regra para todos os esportes a partir de 2026.

Dos 20 casos registrados no ciclismo profissional, 9 ocorreram no nível Continental, equivalente à terceira divisão mundial. O MPCC, portanto, convida os envolvidos no ciclismo a refletirem sobre a política antidoping nos níveis inferiores, já que várias dezenas de casos foram registrados no nível amador em 2025. Por exemplo, 25 ciclistas estavam cumprindo suspensão ou haviam sido provisoriamente suspensos pela agência antidoping da Colômbia em meados de dezembro de 2025, mais da metade deles competindo em estruturas amadoras e/ou semiprofissionais.

Garantir um ciclismo limpo no nível profissional também significa assegurar que ele permaneça limpo em suas bases. Nosso esporte não pode se permitir negligência diante da praga do doping dentro das estruturas que formam o alicerce da prática competitiva, especialmente no que diz respeito aos atletas mais jovens, que estão sendo recrutados cada vez mais cedo e chegam mais bem preparados para as exigências do profissionalismo, sobretudo em termos técnicos e nutricionais.


Essas práticas não apenas contrariam o espírito do esporte justo, como também podem ser perigosas para a saúde física e mental dos ciclistas, que são os principais protagonistas das corridas. O MPCC não apenas se posiciona na luta contra o doping — uma batalha permanente — como também deseja ampliar a noção de “ciclismo confiável” para incluir a saúde dos atletas, o apoio ao rápido crescimento do ciclismo feminino, a segurança nas corridas, entre outros aspectos.

Essas questões adicionais também evidenciam que tipo de ações devemos adotar para manter um ciclismo responsável: desde os orçamentos destinados à ITA, principal agência encarregada dos controles antidoping nas provas profissionais; passando pela promoção de medidas de segurança entre ciclistas, equipes e organizadores; até a participação financeira dos envolvidos no ciclismo. Todas essas realidades reforçam o MPCC em suas posições e ações.

 
 
 

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