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Organizador da UCI Gran Fondo World Series Brasil conta como foi correr o Mundial na Escócia


Juliano Salvadori na Escócia / Acervo pessoal

O catarinense Juliano Salvadori, organizador da prova de ciclismo de estrada UCI Gran Fondo Word Series no Brasil foi até a Escócia conferir de perto a primeira edição unificada do Campeonato Mundial de Ciclismo.


A UCI Gran Fondo World Series Brasil será no dia 5 de novembro, em Pomerode (SC). As inscrições estão abertas e todas as informações estão no site oficial.


Pela primeira vez o Campeonato Mundial de Ciclismo foi unificado em um super evento da UCI (União Ciclística Internacional) realizado na Escócia de 3 a 13 de agosto e com 13 modalidades, entre elas a Gran Fondo.


A prova de Gran Fondo funciona como um verdadeiro campeonato mundial de ciclismo de estrada amador em categorias por idade, que vão dos 19 a 89 anos, para homens e mulheres.

"O que mais me surpreendeu foi a maneira como a UCI está tratando o Gran Fondo.


Literalmente eles encaram como uma nova modalidade, que é perfeita para incentivar as pessoas a competir a qualquer idade", conta Salvadori, que disputou a prova de estrada na categoria 40-44 anos. O percurso em Glasgow teve um total de 160km com 1.927 metros de desnível acumulado.


Kit do Mundial / Divulgação

Nas Gran Fondo é comum a participação de ex-ciclistas profissionais. Na Escócia, o pelotão do campeonato mundial de categorias de idade era formado por aproximadamente 70% de ex-profissionais. O cazaque Alexandre Vinokourov, por exemplo, foi campeão na categoria 50-54.

"A prova não teve trecho neutralizado. Largamos forte já na bandeirada. Na minha categoria largaram uns 300 ciclistas e olha, só na minha categoria tinha uns 40 ciclistas ao estilo Van der Poel. Não tinha ninguém para brincadeira, como foi a final do mundial de gran fondo, praticamente ninguém foi lá apenas pelo gosto de participar", destaca o catarinense.


As regras da Gran Fondo são as mesmas da categoria elite e, como em todo evento com a chancela UCI, são estritamente observadas. Depois da chegada, as bicicletas dos primeiros colocados foram pesadas, escaneadas e medidas segundo o gabarito oficial. "Com ciclista de mais idade os comissários foram ainda mais severos, e tiveram muitos exames antidoping em praticamente todas as categorias", conta.


Básico bem feito

Salvadori esteve no congresso de organização do Circuito World Series (ucigranfondoworldseries.com/en) e passou um dia todo com a organização estudando regulamentos e documentações, gestão de percurso, regras de abastecimento e como é feita a montagem da prova. Salvadori participou também do briefing para com as pessoas que iam trabalhar no evento e também do briefing dos atletas.


"No Mundial de Gran Fondo estava toda a cúpula da UCI, inclusive os comissários que fizeram o briefing do evento no dia anterior. Até o presidente da UCI disputou a corrida como prova de engajamento da UCI com a modalidade Gran Fondo", conta.


No evento, Salvadori conheceu o delegado técnico da UCI, o belga Erwin Vervecken, que foi designado para supervisionar a prova em Pomerode.


"Me chamou a atenção o básico bem feito e a simplicidade da gestão da prova. Eles estão focados pura e simplesmente em entregar uma boa prova de ciclismo. A inscrição custou 120 euros e o kit é um envelope com um número e um chip, que por sinal deve ser devolvido no final da corrida para receber o depósito caução de volta. Quem quiser camiseta, caramanhola, boné, meia ou outro produto é só adquirir nas lojas oficiais. Funciona assim", conta Salvadori.


Estrangeiros confirmados no Brasil Para disputar a prova do Mundial, o ciclista tem que ter uma licença UCI válida para a temporada. Quem é brasileiro deve ser filiado em alguma federação estadual e solicitar junto à CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) a carteira que será emitida pela entidade na Suíça. Outra exigência é ter um seguro especial e com validade internacional. Todo competidor tem que usar um chip ativo, que é entregue ao atleta mediante uma caução por cartão de crédito. "Para a etapa Brasil é permitida a tecnologia de chip descartável para cronometrar nossa prova”, explica.

A agência de turismo parceira oficial da UCI está divulgando a Gran Fondo de Pomerode e alguns estrangeiros já estão confirmados. "Já temos alguns europeus inscritos em nossa prova, uma francesa, um alemão, um norte- americano, bem como vários atletas da Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai até o momento", relata.


Alto nível com simplicidade Salvadori ficou impressionado pelo alto nível e espírito combativo dos participantes. Os horários de largadas são separados por blocos e o brasileiro largou no mesmo bloco do Vinokourov.


Segundo Salvadori, o percurso foi 90% em área rural e bem técnico, com apenas dois pontos de água, Gatorade e banana. O detalhe é que o próprio ciclista deve parar e fazer o próprio abastecimento, já que não tem ninguém para dar em mãos.


"Quem quiser água tem que desmontar e abastecer sua caramanhola direto do galão de água. O mesmo vale para o Gatorade e para a banana. É bem diferente das provas do Brasil", conta.


Salvadori lembra que o foco das provas UCI de Gran Fondo é o ciclismo e toda a dureza deste esporte. "O percurso na área rural era em estradas estreitas, muitas vezes sem faixa e nas descidas tinha placas de alerta para trechos de gravel, que na realidade era um asfalto todo destruído com pó de brita por cima e havia buracos e remendos. Foi bom para desmitificar que na Europa todo asfalto é perfeito", afirma.


Outro ponto interessante destacado por Salvadori foi a simplicidade da chegada. "Não tinha nada, nem medalha de Finisher. Medalhas são só para os três primeiros do pódio. Na área de chegada tinha food trucks, mesas e um belo gramado, onde o público sentava para comer e beber algo e ouvir as bandas tocando ao vivo", lembra.


"Para mim a Gran Fondo serviu para derrubar os mitos do que é verdadeiramente importante em uma corrida. Percebi que os organizadores estão focados em oferecer uma boa prova de ciclismo, com toda segurança e que obedece às regras da UCI", completa Salvadori.


Foco no ciclismo Antes da prova válida para o Mundial, Salvadori participou também de uma pedalada social com os comissários e gestores da UCI, num rolé de 30km no percurso da prova.


"Visitamos um castelo com um guia local. O detalhe que me impressionou foi a velocidade: rodamos o tempo todo próximo a 40km/h e ninguém parava para fazer fotos ou postagens no Instagram. Isto também me impressionou. A galera estava focado em pedalar, na experiência do momento, e não em mídias sociais", comenta Salvadori.


A magia do ciclismo em Pomerode A UCI Gran Fondo World Series Brasil é a única seletiva na América do Sul para a prova do campeonato Mundial que vai definir os novos donos da camisa de campeão mundial da temporada 2024, na Dinamarca.


Os primeiros 25% de cada categoria da prova catarinense serão classificados para a disputa do Mundial.


Salvadori lembra a importância da UCI Gran Fondo World Series Brasil. "É a magia pura do ciclismo Pro Tour. Poder disputar uma medalha de circuito mundial e ter o privilégio de usar a camisa de campeão mundial por uma temporada inteira."


Valeu Europeu O percurso da UCI Gran Fondo World Series Brasil tem 143 quilômetros de extensão com 1.400 metros de altimetria acumulada e vai passar pelas cidades de Pomerode, Timbó, Rio dos Cedros, Benedito Novo e Doutor Pedrinho.


A região é conhecida como Vale Europeu, conhecido pela beleza e pelo circuito de cicloturismo mais antigo do Brasil. A prova pode também ser disputada na versão Medio Fondo, com 80km e 600 metros de ascensão total.


De acordo com Salvadori, para a UCI, uma Gran Fondo com 500-600 participantes a prova é considerada de tamanho médio e com 1.000 participantes já é um grande evento.


"Já temos mais de 700 inscritos até o momento e a UCI está muito satisfeita com nosso trabalho para esta primeira edição. Tanto é que a prova do ano que vem já está confirmada e será no dia 3 de novembro de 2024, em Pomerode. Possivelmente teremos também a prova de crono individual, além da Gran Fondo de estrada", comemora Salvadori.


Seletiva para o Mundial na Dinamarca A UCI vai trazer para Pomerode a camisa de campeão da etapa World Series para cada faixa etária e também as medalhas UCI para os três primeiros de cada categoria. Haverá também a medalha de Qualifier da UCI para quem chegou em até 25% do tempo do vencedor de cada faixa etária, que dá o direito de disputar o campeonato mundial de Gran Fondo, que em 2024 será em Aalborg, na Dinamarca, de 29 de agosto a 1 de setembro.


A organização da UCI Gran Fondo World Series Brasil vai oferecer medalhas para os três primeiros colocados de cada categoria.


O kit do atleta do UCI Gran Fondo vem com uma camisa oficial do evento e outros produtos de merchandising poderão ser adquiridos nos pontos de venda oficiais. A prova em Pomerode terá carro de apoio neutro Shimano e muitos pontos de alimentação e hidratação durante o percurso.


Salvadori salienta que durante o Campeonato Mundial a UCI divulgou algumas novas regras para o circuito UCI Gran Fondo World Series a partir de 2024.


Podem qualificar para a disputa do mundial Gran Fondo homens de 19 a 59 anos e mulheres de 19 a 49 anos. Ciclistas com idade superior ao limite devem correr na Medio Fondo.

A Medio Fondo por sua vez tem categorias para homens de 60 a 89 anos e de 50 a 89 anos para mulheres.


"Na prova tem todas as categorias, mas somente as acima qualificam para o Mundial", explica Salvadori.

Juliano Salvadori gravou uma live com todos os detalhes e regras do evento no Brasil que pode ser acompanhada no link https://www.instagram.com/reel/Cv-9bVsI-am/


Mais informações e inscrições: www.ucigranfondobrasil.com.br

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