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WADA coloca em vigor a Lista de Substâncias Proibidas 2026

  • Foto do escritor: Márcio de Miranda
    Márcio de Miranda
  • 5 de jan.
  • 3 min de leitura

A Agência Mundial Antidoping (WADA) confirmou que entrou em vigor no início de 2026 a nova Lista de Substâncias e Métodos Proibidos, além do Programa de Monitoramento 2026. O documento foi aprovado pelo Comitê Executivo da entidade em setembro de 2025 e passa a valer obrigatoriamente para todas as federações, equipes e atletas vinculados ao Código Mundial Antidoping — incluindo o ciclismo profissional e amador de alto rendimento.

A Lista é um dos oito Padrões Internacionais que regem o sistema antidoping global e define quais substâncias e métodos são proibidos dentro e fora de competição, além de indicar restrições específicas para determinadas modalidades esportivas.


Paralelamente à Lista, a WADA mantém o Programa de Monitoramento, que inclui substâncias ainda não proibidas, mas que passam a ser observadas de perto. O objetivo é identificar possíveis padrões de uso indevido, algo particularmente relevante no ciclismo, historicamente atento a práticas emergentes de melhora artificial de performance.

Entre as atualizações mais relevantes para a temporada 2026, destacam-se ajustes que exigem atenção redobrada de ciclistas, treinadores, médicos e equipes:

Foram adicionados exemplos e esclarecimentos em classes já conhecidas do ciclismo, como:

  • S1 – Agentes anabolizantes

  • S2 – Hormônios peptídicos e fatores de crescimento

  • S4 – Moduladores hormonais e metabólicos

  • S6 – Estimulantes

A medida busca reduzir alegações de “uso involuntário” e ampliar a responsabilidade dos atletas.

Mudança no uso do salmeterol

O intervalo de dosagem do salmeterol (comum em tratamentos respiratórios) foi ajustado para evitar possíveis efeitos ergogênicos. A dose máxima diária permanece a mesma, mas o controle de uso passa a ser mais rigoroso.

Sangue e componentes sanguíneos

A WADA detalhou melhor a proibição da retirada de sangue e componentes sanguíneos, prática historicamente associada a esquemas de dopagem no ciclismo de endurance.

Monóxido de carbono entra na lista de métodos proibidos

Uma das novidades mais relevantes é a inclusão do uso não diagnóstico de monóxido de carbono (CO) como método proibido (nova seção M1.4). O uso para fins diagnósticos, como medição da massa total de hemoglobina, continua permitido. Qualquer outro uso passa a ser considerado violação antidoping.

Células e componentes celulares

A proibição foi ampliada para incluir componentes celulares, como mitocôndrias e ribossomos, reforçando o combate a práticas avançadas de manipulação biológica.

Glicocorticoides e efeito prolongado

A WADA esclareceu que formulações de liberação prolongada podem gerar níveis detectáveis de glicocorticoides mesmo após o período de “washout”, algo crucial para ciclistas em tratamento médico durante a temporada.

Educação antidoping: foco em equipes e atletas

A WADA reforçou a importância da educação preventiva, especialmente em esportes de resistência como o ciclismo:

  • Para organizações antidoping e federações: foi disponibilizado um checklist anual para auxiliar na implementação da nova Lista.

  • Para atletas e equipes de apoio (ASP): o Guia do Atleta 2026 está disponível como curso online na plataforma ADEL e também em formato PDF.


Os documentos oficiais de 2026 estão disponíveis em inglês, francês e espanhol. Federações e entidades interessadas em outras traduções podem solicitar os arquivos diretamente à WADA.

A Lista também ganhou uma versão digital otimizada para celular, facilitando a consulta rápida por ciclistas em competições, treinos e viagens.

Como uma substância entra na Lista?

Para que uma substância ou método seja proibido, é necessário que atenda a pelo menos dois dos três critérios abaixo:

  1. Potencial de melhorar o desempenho esportivo

  2. Risco real ou potencial à saúde do atleta

  3. Violação do espírito do esporte

A Lista é publicada com três meses de antecedência, mas a responsabilidade final é sempre do atleta. No ciclismo, casos recentes reforçam que alegações de desconhecimento não isentam punições.

Isenção para Uso Terapêutico (TUE)

Ciclistas que necessitem de substâncias proibidas por razões médicas legítimas podem solicitar uma Isenção para Uso Terapêutico (TUE). O processo é rigoroso, amplamente aceito no esporte de alto rendimento e fundamental para equilibrar saúde e integridade competitiva.

Alerta final ao pelotão

Diante de qualquer dúvida sobre medicamentos, suplementos ou métodos de recuperação, a orientação é clara: consultar a federação internacional, a agência antidoping nacional ou o departamento médico da equipe antes do uso.

No ciclismo moderno, informação correta é tão decisiva quanto potência e estratégia.


 
 
 

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